O olhar de Maysa

O assunto das semanas anteriores e também desta foi a minissérie Maysa. A quase surreal narrativa da história de uma das maiores musas da história da música brasileira, mostrou a vida de uma mulher de temperamento bipolar e nonsense. Aquela que, realmente, esteve a frente de seu tempo, provocou amores e ódios e continua provocando a inveja de muitas mulheres exatamente pela forma que escolheu viver. Despudora e sem papas na língua, a Maysa que conhecemos na minissérie de fotografia impecável e linguagem de cinema, talvez passe perto daquela que realmente viveu. O autor, Manoel Carlos, não poupou a poesia, que lhe é peculiar, ao narrar a vida da cantora. A inserção de pensamentos de Maysa, sempre um tanto quanto melancólica, foram um show a parte. As letras de suas músicas, casando de forma impecável com cada momento em que vivia, também são de fazer qualquer um babar. Para mim, foi impossível, resistir aos encantos desta história tão atraente e fugaz. Sem contar que nela foram apresentados ao mundo aqueles olhos verdes e a sobrancelha arqueada da atriz, até então desconhecida e desperdiçada, Larissa Maciel. Uma atriz como poucas, se despiu de qualquer pudor para enfrentar e encarnar, a polêmica Maysa e o fez maravilhosamente. Uma minissérie com uma história bem contada, não importa se incompleta, mas ainda assim bem contada. Cada detalhe foi pincelado de forma impressionante e feito para impressionar, mesmo! Sem dúvida, uma das melhores produções brasileiras da história da televisão, não só pelo que foi mostrado, mas também pelos bastidores. Jayme Monjardim, o filho quase rejeitado da cantora, fez com esmero que só um profissional dos grandes conseguiria. Afinal, falar de um passado doloroso, não é nada fácil, imagine então reviver, recontar, remontar este passado. Deve ser aplaudido de pé! Ao assistir Maysa, ouvindo-a cantar e chorar, pareceu-me que era possível compartilhar da sua dor, entender um pouco daquilo que passava em seu coração. Ficou pra mim, um gostinho de quero mais, muito mais! Uma delícia de minissérie. E dela vão sobrar para a televisão brasileira, além do desafio de fazer melhores minisséries daqui em diante, atores tão bons como os que foram apresentados; cito: a expoente Larissa Maciel, o galã Mateus Solano, o impecável e altivo Eduardo Simerjam e até mesmo os filhos do próprio Monjardim, Jayme e André Matarazzo que não só convenceram como emocionaram interpretando o próprio pai. Enfim, de Maysa, para mim , resta a vontade de ver mais desta que foi uma personalidade incrível, apaixonada, nostálgica, despudora e inovadora. Aquela que só tinha medo " de amar e não ser amada", era alguém simples, de prazeres simples e que cantava aos quatro cantos aquilo que sentia e sentia muito. Maysa sem dúvida, vivia poesia. Amarga, mas sem perder a doçura. Palmas para Maysa!

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