Ser feliz
O importante é se perceber feliz. Não importa em que momento da vida isso aconteça, o que importa mesmo é que aconteça. O essencial é não se arrepender. O importante é recomeçar mesmo que isso signifique desistir.
Desistir, entregar, abandonar nem sempre são formas de perder. Pode ser a melhor forma de ganhar. Se entregar pode significar uma vida nova. Se entregar a algo que você sonhe, mas nunca teve coragem o suficiente para realizar porque isso implicava renunciar a uma vida de estabilidade, uma vida medíocre, sem paixão, sem emoção.
E ser feliz não é viver o cotidiano. Ser feliz é viver intensamente, sempre percebendo o novo, amando o novo, vivendo o hoje sem pensar no amanhã, sem hipocrisia. Ser feliz é renunciar, é abdicar de coisas, de pessoas para conseguir algo pelo que a sua alma sempre gritou: a liberdade. A liberdade de amar, de sentir, de viver, de pensar. A liberdade de estar, de ser, de viver.
O que importa é se perceber feliz nem que para isso você tenha que mudar a sua vida, reencontrar a sua essência. Para ser feliz é preciso se perceber por inteiro. Olhar pra dentro e ver aquilo que você é, e aquilo que fizeram de você.
Ver exatamente como as suas escolhas fizeram de você aquilo que é. E então decidir que é preciso mudar. É preciso reinventar. É preciso dizer e contradizer sem medo de surpreender. É preciso questionar, investigar, instigar.
Pra ser feliz é preciso coragem para se sentir inteiro, coragem para se sentir dono de si, sem medo de repudio, sem inseguranças, sem nostalgia.
Para ser feliz é preciso ser exagerado. É preciso exagerar na simplicidade, investir nos momentos mais corriqueiros e perceber aquilo que realmente te provoca sensações, aquilo que te causa êxtase, aquilo que te faz chorar de rir, ou morrer de chorar.
Para ser feliz é preciso se exercitar. Exercitar a sua capacidade de amar, de entender, de sentir, de perdoar, de relevar, de enxergar. Exercitar a sua capacidade de ser e ser cada dia maior. Exercitar a sua capacidade de vibração, de emoção. Exercitar a sua capacidade de sentir.
Sentir que ainda pode respirar, que seus olhos ainda podem lacrimejar e que a sua garganta ainda pode secar. Sentir que suas mãos ainda gelam que você ainda sua frio, que sua pele ainda se arrepia.
Sentir que ainda pode ter as pernas bambas, que seus joelhos tremem, que seu corpo estremece, que seus lábios não seguram o sorriso, que seu coração salta, que o seu cérebro não manda mais em você, que seus pulmões passam a respirar na batida do coração do outro.
E quando você passa a se perceber dessa forma é sinal de que você ainda está vivo. E quem está vivo sempre, sempre pode ser mais feliz do que é. Basta querer e, é claro, buscar.
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